Evento do Dia Mundial da PI coloca a Propriedade Intelectual no centro do debate esportivo

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07 Maio 2026

Evento do Dia Mundial da PI coloca a Propriedade Intelectual no centro do debate esportivo

INPI realizou, no dia 29 de abril, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, evento em comemoração ao Dia Mundial da Propriedade Intelectual 2026. A iniciativa reuniu especialistas, representantes do setor público e privado e profissionais da área esportiva para discutir o papel da propriedade intelectual (PI) na inovação e no desenvolvimento do esporte.
Evento do Dia Mundial da PI coloca a Propriedade Intelectual no centro do debate esportivo

Com o tema “PI e os esportes: em suas marcas, preparar, inovar!”, o encontro promoveu debates sobre como marcas, patentes e desenhos industriais contribuem para impulsionar tecnologias, proteger ativos e gerar valor econômico no setor esportivo. Confira os assuntos tratados nos cinco painéis.

A data, celebrada mundialmente em 26 de abril, foi instituída pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) para ampliar a compreensão sobre a importância da PI para a criatividade, a inovação e o desenvolvimento. Em 2026, o foco esteve na relação entre PI e esporte.

Durante a programação, o presidente do INPI, Júlio Cesar Moreira, e a presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Gestão da Qualidade e da Propriedade Intelectual (IGQPI) de Cabo Verde, Ana Paula Spencer, assinaram acordo de cooperação técnica entre os dois países.

Propriedade intelectual no esporte

A PI precisa ser entendida como parte da engrenagem do desenvolvimento econômico e da inovação, inclusive no esporte, afirmou o presidente do INPI, Júlio Cesar Moreira. Ele destacou que o tema escolhido para 2026 ajuda a evidenciar como a PI está presente em toda a cadeia esportiva, da criação de tecnologias ao fortalecimento de marcas e modelos de negócio.

Segundo Moreira, o avanço do setor esportivo passa, cada vez mais, pela capacidade de proteger e explorar ativos intangíveis de forma estratégica. Nesse contexto, ressaltou a importância da cooperação internacional e citou a parceria firmada com Cabo Verde como exemplo de troca de conhecimento e fortalecimento institucional.

A diretora do Departamento de Política de Propriedade Intelectual e Infraestrutura da Qualidade (DEPIQ), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Juliana Ghizzi, pontuou que a PI é uma ferramenta concreta para aumentar a competitividade e transformar conhecimento em valor. Ela entende que o esporte vem se consolidando como um campo relevante para políticas públicas voltadas à inovação, com impacto direto na economia e na geração de oportunidades.

Para Ghizzi, é essencial integrar políticas de propriedade intelectual com estratégias de desenvolvimento produtivo, de forma a criar um ambiente mais favorável à inovação. Ela também reforçou a necessidade de articulação entre governo, setor privado e academia para ampliar o uso estratégico da PI no país.

Inovação e ativos intangíveis no esporte

A crescente relação entre esporte, tecnologia e ativos intangíveis torna a propriedade intelectual um elemento central nesse ecossistema, avaliou Schmuell Cantanhede, diretor do escritório da OMPI no Brasil. Segundo ele, a escolha do tema reflete uma tendência global de valorização da inovação no esporte. Cantanhede divulgou que a organização lançou, em comemoração ao Dia Mundial da PI 2026, um curso sobre esportes e PI voltado a empreendedores.

Já a conselheira regional de PI para o Mercosul do Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos (USPTO, na sigla em inglês), Maria Beatriz Dellore, disse que a proteção adequada de ativos de PI é fundamental para garantir segurança jurídica e atrair investimentos. Para ela, o ambiente esportivo, cada vez mais globalizado, exige estratégias sólidas de proteção e gestão desses ativos.

Por sua vez, o presidente da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), Peter Eduardo Siemsen, falou que a PI passou a ocupar um espaço estratégico a partir da evolução da gestão esportiva. Ele enfatizou que ativos como marcas, direitos de transmissão e conteúdos digitais têm ganhado relevância crescente na estrutura econômica do setor.

Sistema de PI e desenvolvimento

A necessidade de fortalecer o uso estratégico da PI também foi ressaltada pela vice-presidente da Associação Brasileira dos Agentes da Propriedade Industrial (ABAPI), Rosane Tavares. Segundo ela, a atuação coordenada dos diferentes agentes do sistema de PI é essencial para ampliar a proteção e estimular a inovação.

A segunda vice-presidente da Associação Paulista da Propriedade Intelectual (ASPI), Ismênia Wallace, completou que o debate sobre PI no esporte não se limita à dimensão econômica, mas também envolve inclusão e desenvolvimento social. Para ela, ampliar o acesso ao sistema de PI é um passo importante para democratizar oportunidades no setor.

Por fim, a gerente de Programação do CCBB, Marcela Monteiro, ressaltou a importância de sediar iniciativas, como a celebração do Dia Mundial da PI, que promovem diálogo entre diferentes áreas. Segundo ela, o CCBB também cumpre o papel de espaço de circulação de ideias e de aproximação entre conhecimento, cultura e sociedade.

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